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Retrospectiva 2016 (atrasada): Os posts mais vistos

Olá, olá, meus caros obstreladores, como vão vocês nesse pacato fim de janeiro? Muitas pessoas cobraram e eu estou de volta a esse blog lindo e estrelado - e com muitas pessoas eu digo minha mãe, minha melhor amiga e uma pessoa anônima no CuriousCat que eu espero não ser nenhuma das citadas anteriormente. Então.. Será que já é muito tarde para fazer uma retrospectiva de 2016? 

2016 foi um ano complicado, apesar do meu desaparecimento por aqui na segunda metade do ano, fiz muitas coisas, conheci muita gente nova, passei por várias mudanças e, mesmo com várias pancadas que a vida me deu, eu aprendi demais. 2016 foi um ano de aprendizado. Então, nada mais justo para dar início a esse novo ano no blog do que uma pequena retrospectiva dos posts que vocês mais gostaram em 2016. Tomei como base o número visualizações e selecionei as cinco postagens mais visualizadas do ano!



Aqui eu fiz uma resenha sobre Stranger Things e ela está bem empolgada, já que eu tinha acabado de assistir e não sabia como conter a euforia (sigo sem saber). O post é do dia 24 de julho, seis meses se passaram e ainda continuo achando a série maravilhosa, já reassisti várias vezes e provavelmente assistirei mais até o lançamento da segunda temporada. Para adiantar: o erro mencionado no título foi meu, por ter acidentalmente clicado para assistir a série no banner da Netflix. 



Essa é outra resenha, dessa vez do livro da Kiera Cass, The Siren (ou, A Sereia, em português). Apesar de não ser o melhor livro que já li e ter algumas coisas que não me agradaram muito, como vão ver na resenha, foi uma das leituras mais prazerosas do ano e uma das poucas, infelizmente. E, particularmente, eu sou muito orgulhosa das fotografias desse post! O post é do dia 23 de março e lembro de quase não ter postado por problemas técnicos, que bom que deu certo! 



Um dos meus posts favoritos, fiquei muito feliz de ter tido um feedback tão positivo em relação a ele! Fiz uma pequena compilação dos filmes que me fazem pensar sobre o valor da família, a maioria deles são comédias dramáticas e uma ótima opção para aproveitar esse final de janeiro junto com quem se ama. A lista foi postada no dia 21 de março, mas ainda sigo chorando sobre os mesmos filmes. 



Confesso que a repercussão desse post me surpreendeu um pouco, os posts sobre decoração nunca foram muito populares por aqui, mas fiquei feliz por tanta gente ter dado uma olhada nas ideias que eu apresentei! Eu acabei nem usando as inspirações, mas recebi no Twitter fotos de leitores que fizeram e foi uma das melhores coisas! Se você não viu, corre lá e se encha de ideias do que fazer com um simples caixote de feira.



Em primeiríssimo lugar temos o meu desabafo acerca da cultura do estupro. No dia em que escrevi isso havia feito várias pesquisas e estava bem chateada, não vou mentir, a indignação continua. Porém, não esperava que essa fosse ser a postagem com mais visualizações no ano! Aparentemente várias pessoas concordaram e se identificaram com as minhas palavras, ao que eu agradeço imensamente, não só pelas visualizações, mas pelos compartilhamentos por aí. 

****

Yay! Por hoje é só, esse foi só um início do que 2017 guarda para nós por aqui, se eu fosse vocês ficaria de olho! E por aí, qual é a postagem do Obstrelando que vocês mais gostaram? E até mesmo qual é a postagem do blog de vocês em 2016 que vocês mais gostaram?

Espero que tenham gostado do post e mandem ideias do que vocês querem ver por aqui esse ano, a participação de vocês é sempre fundamental! 

Até o próximo post, xoxo!




5

Stranger Things: o erro que conquistou meu coração

Olá, olá! Antes de mais nada, queria explicar a você que já assistiu à série e me xingou no momento em que leu o título que: a série não foi um erro. O erro foi meu. Estava eu na Netflix, tentando achar qualquer coisa para assistir e eis que acidentalmente cliquei no gigantesco banner de Stranger Things no topo da página, que estreou no dia 15 de julho. Eu podia ter voltado e escolhido outra coisa? Sim. Eu podia ter me irritado, desistido e desligado o computador? Também sim. Porém, felizmente, não foi o que eu fiz. Já estava indecisa mesmo, então vi aquilo como um sinal do destino e deixei rolar. Foi nesse momento que tive o primeiro contato com o que viria a ser uma das melhores coisas das minhas férias (e olha que elas estão sendo sensacionais mesmo). Logo que assisti ao primeiro episódio corri para o Twitter e de repente TODO MUNDO estava falando sobre ela, ainda tem gente que não acredita da Lei de Murphy. 

Então, após essa curta -- e dramática -- explicação a minha introdução a série, decidi que precisava introduzir outras pessoas ou, no mínimo, desabafar sobre o meu encantamento por essa produção maravilhosa da Netflix que me deixou com lágrimas de nostalgia durante oito lindo episódios.


Bom, eu não sei vocês, mas, apesar de hoje em dia as pessoas não darem muita importância, eu fui basicamente criada pela Sessão da Tarde, era um evento diário na minha casa e exigia todo um ritual. Esse hábito foi o que despertou o meu interesse por cinema e, mesmo não tendo vivido nos anos 80, me fez crescer junto com Elliot e seu melhor amigo E.T., sonhar em ser tão descolada e aventureira quanto Ferris Bueller, querer caçar tesouros com os Goonies e ter amizades tão boas quanto a dos garotos de Conta Comigo. Stranger Things trouxe toda essa sensação de Sessão da Tarde de volta, uma junção perfeita de todos os filmes dos anos 80 e 90 que fizeram a minha infância e a de muita gente.

O primeiro episódio começa com uma referência explícita a E.T. - O Extraterrestre, quando os quatro melhores amigos Mike, Will, Dustin e Lucas estão no meio de uma partida animada de Dungeons & Dragons no porão da casa de Mike. Logo após a partida -- que durou 10 horas! -- cada um dos garotos vai para sua casa e então Will desaparece misteriosamente, dando início a real trama da série. Recheada de referências a filmes já citados acima e de clássicos do terror como Poltergeist, A Hora do Pesadelo, ao thriller Tubarão e outras diversas outras aos livros de Stephen King, a série, no entanto, não é sustentada só por referências. Apresentada como uma carta de amor aos anos 80, Stranger Things vai se criando com uma trama original e envolvente que me fez querer assistir todos os oito episódios de uma só vez. 

Na procura por Will, os amigos Mike, Dustin e Lucas acabam encontrando Eleven, uma garota misteriosa, de poucas palavras e que possui poderes telecinéticos e precisa ser escondida no porão de Will (mais uma referência a E.T.!). Os quatro embarcam em uma perigosa e relativamente irresponsável busca pelo melhor amigo, sendo salvos diversas vezes pelas habilidades de Eleven, que vai se mostrando cada vez mais poderosa ao longo dos episódios. Paralelas a essa ainda existem outras tramas como as investigações do xerife Hopper e da mãe de Will, Joyce (interpretada pela maravilhosa Winona Ryder); o triângulo amoroso adolescente formado por Nancy, Jonathan e Steve, que é desenvolvido de forma extremamente atenciosa e natural. E, por fim, temos o núcleo do laboratório de experimentos. Mesmo que a princípio dê a impressão de alguns personagens estarem só tapando buracos, todos os núcleos se encontram ao final, cada um montando uma parte do quebra-cabeça que nos leva ao desfecho emocionante da temporada. 


Com uma trilha sonora apaixonante composta por nomes como Dolly Parton, The Clash, The Smiths e David Bowie, a série faz com que viajemos a uma época sem tanta tecnologia, uma época de muito mais liberdade e onde a diversão era promovida de maneiras mais criativas. Apresenta a típica transição do nerd para o herói, o triângulo amoroso entre a mocinha, o bad boy e o esquisitão, o frio na barriga de um bom sci-fi e, o principal elemento das produções oitentistas nessa linha: a amizade. Uma série que tinha tudo para ser uma cópia barata de tantos outros clássicos que já conhecemos e amamos, acabou tornando-se uma homenagem digna e muito bonita ao cinema dos anos 80. Vale destacar também a atuação impecável das crianças do elenco!


A série é assinada pelos irmãos Duffer, que são estreantes e citaram como principais inspirações Steven Spielberg, John Carpenter e Stephen King. Inclusive, os dois contaram que levaram um trailer com trechos de 25 filmes, incluindo todos os citados nesse post, e entregaram para os produtores como um exemplo base do projeto. A abertura também é uma atração a parte, desde a fonte (a mesma usada nas capas dos livros de Stephen King), até a música tema que foi criada especialmente para a série e é responsável por deixar aquela ansiedade pelo episódio que virá.



A trilha sonora da série já está no Spotify e lembram da Lully que eu falei no post passado? Ela fez um vídeo incrível passeando pelo set de gravação de Stranger Things em Atlanta!



Nota:






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E aí? Vocês já assistiram a série? Pretendem assistir? Corram aqui embaixo e deixem suas opiniões e discussões, ando louca por alguém para tagarelar sobre haha!

Até o próximo post, xoxo!

"stardustlady" no Snapchat

3

The Siren (Kiera Cass)


Olá, olá! Como vão as coisas do lado daí? Aqui está tudo ótimo, só os trabalhos da faculdade me enlouquecendo um pouquinho, haha. Bom, hoje é dia de resenha e eu trouxe mais um dos livros que comprei na minha passada pelos states: The Siren. Encontrei em uma promoçãozinha linda lá na Walmart perto do meu hotel e, como já estava louca para lê-lo, acabei comprando junto com To All The Boys I've Loved Before, que já foi resenhado aqui. 

O livro é escrito por Kiera Cass, a escritora da série A Seleção e seus contos e spin-offs. Na verdade, apesar de ter sido lançado depois dos outros, esse foi o primeiro livro já escrito pela autora, um dos motivos pelos quais eu queria tanto conferi-lo.


"Anos atrás, Kahlen foi salva de um naufrágio pela própria Água. Para pagar sua dívida, a garota se tornou uma sereia e, durante cem anos, precisa usar sua voz para atrair as pessoas para se afogarem no mar. Kahlen está decidida a cumprir sua sentença à risca, até que ela conhece Akinli. Lindo, carinhoso e gentil, o garoto é tudo o que Kahlen sempre sonou. Apesar de não poderem conversar - pois a voz da sereia é fatal -, logo surge uma conexão intensa entre os dois. É contra as regras se apaixonar por um humano, e se a Água descobrir, Kahlen será obrigada a abandonar Akinli para sempre. Mas pela primeira vez em muitos anos de obediência, ela está determinada a seguir seu coração."


Para começar, confesso que levei a tradução do título em português (A Sereia) super a sério e acabei quebrando um pouco a cara quando fui ler o livro. Sirens não são sereias, inclusive isso é explicado rapidamente durante o livro, ou seja, não espere caldas coloridas, seres super aquáticos e tudo o mais, o que temos aqui são criaturas que servem a Água (que na versão em inglês é chamada de Oceano e faz mais sentido). Li críticas muito duras em cima da Kiera dizendo que ela simplesmente mudou a mitologia e tirou as caldas das serias, quando na verdade acho que foi mais um erro de tradução mesmo. 

Enfim, seguindo. Vocês vão dizer que eu tenho problemas com protagonistas e eu tenho mesmo, mas eu não odiei a Kahlen totalmente. Quer dizer, as sirens servem à Água por 100 anos e durante esse tempo elas não envelhecem, tem uma uma beleza estonteante e tudo o mais, porém além de não poderem falar com os humanos, já que suas vozes são mortais - ou seja, só podem interagir entre si -, também tem um dever cretino, que é "alimentar" a Água. Como? Afundando navio e causando esses esporádicos "acidentes", que para elas são um assassinato em massa. Não é explicado muito bem, mas aparentemente a Água, para permanecer viva e manter todos os seres humanos vivos também, precisa se alimentar de algumas dezenas de vez em quando. Não faz muito sentido agora, mas no contexto da história é até plausível. 

O ponto é que a Kahlen, mesmo depois de 80 anos e diferente das outras sirens, suas irmãs, ainda não aprendeu a lidar com as mortes que causa e se responsabiliza por elas, tanto que tem um scrapbook meio creepy onde ela coleta informações dos ocupantes do navios naufragados por elas. Me irrita muito o fato de ela remoer isso e ser uma sofredora de carteirinha, mas se você for parar para pensar... Faz sentido. O pior é que, ironicamente, Kahlen é a siren mais dedicada e disciplinada que a Água já teve, tendo até uma relação quase maternal com a divindade, não porque ela tinha jeito para a coisa, mas porque era uma cumpridora de regras nata e sabia que fazendo tudo certinho iria cumprir seu tempo sem grandes problemas. Bom, isso até conhecer Akinli e é aí que a história toda começa. A conexão entre os dois é instantânea e, mesmo que ela não possa falar, eles encontram um jeito de se comunicar. A sintonia é tão forte que chegou a um ponto em que ele só precisava olhar para ela para saber o que ela queria dizer. E eu achei isso lindo, além de ter ficado completamente apaixonada pelo Akinli, que é um rapaz divertido e tão gentil. Só que, se apaixonando por ele, Kahlen quebra uma das regras mais importante das sirens. 

Junto a ela, temos também as brilhantes Elizabeth e Miaka, que tiveram meu amor imediatamente. Não sei o porquê, mas personagens secundários sempre ganham meu coração e não foi diferente com essas duas. Agitadas e festeiras, claro que também carregam consigo o fardo das mortes que causaram, mas simplesmente não ficam sofrendo o tempo inteiro, ao invés disso decidiram fazer o máximo dos seus 100 anos. Algumas coisas incríveis foram citadas, inclusive elas mencionam ter ido a um show dos Beatles, o quão incrível é isso? E, tudo bem, talvez elas só tenham se mantido seguras por causa de todo o cuidado e responsabilidade de Kahlen, mas ainda são as melhores personagens. 

O livro traz um cenário estonteante, uma descrição tão belamente trágica e história adjacentes igualmente boas, a escrita da Kiera é impecável. A única coisa que deixa a desejar, na minha opinião, é algo que já vem me incomodando desde A Seleção: o fato de ela focar demais no romance e esquecer dos outros personagens ou de todo o universo da história. Por exemplo, queria muito saber mais sobre a mitologia das sirens ou sobre a própria Água. Vi pessoas também comparando o romance com uma coisa meio crepusculesca, mas confesso que fui arrebatada por ele e entendi o que ela quis passar com o amor incondicional dos dois.


No mais, só gostaria muito de vários spin-offs sobre a vida das outras personagens ou até dando uma explicação mais extensa sobre as sirens e a Água. E isso não é muito difícil de acontecer, já que a Kiera mostrou adorar um bom spin-off com os livros extras de A Seleção. A esperança é a última que morre, né? Ah, e eu preciso comentar, como de costume, achei a capa incrível e gostei particularmente das fotos dessa resenha, foi uma ótima oportunidade pra ir atrás da minha coleção de conchas de quando era criança. A luz na tarde em que fotografei também ajudou e editei muito pouco quase nada essas fotos.

Como comentei no início, o meu exemplar é em inglês, mas o livro é distribuído aqui no Brasil pela Editora Seguinte, que também é a responsável pela distribuição dos outros livros da Kiera. 

Nota: 





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26

A Rainha Vermelha (Victoria Aveyard)

Olá, olá! Como vão vocês? A quem perguntou sobre a prova de ontem: era anatomia e eu estou até confiante, fiquei mega nervosa por ser a primeira prova, mas acho que deu tudo certo, vamos esperar o resultado e obrigada por se preocuparem, vocês são maravilhosos! 

Então, como prometido e como a recepção foi ótima, decidi que vou trazer mais resenhas literárias aqui para o blog e acabei descobrindo que talvez eu sirva mesmo para resenhar livros, haha. O livro que trouxe para vocês hoje é A Rainha Vermelha da Victoria Aveyard, que enrolei tanto, mas finalmente li e terminei no final de semana. Espero que gostem!


"O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração."


Mare Barrow é uma exímia ladra, nascida e criada na pobreza do vilarejo vermelho de Palafitas, vivendo sempre a sombra da irmã mais nova. Ajuda e a família de todas as maneiras que pode -- mesmo que eles não apreciem tanto quanto ela gostaria -- e espera firmemente pelo dia em que será irremediavelmente convocada para a guerra. Mas, uma série de eventos leva Mare à situação mais inimaginável: ela é prometida ao príncipe e obrigada a fingir ser uma prateada para seu próprio bem e para o bem de sua família e todos aqueles que ama. 

Não vou mentir, o início foi difícil, simplesmente não consegui me conectar com a protagonista, que continuava a me frustrar a cada ato. Porém, por algum motivo, continuei a leitura em uma certa agonia, esperando pelo momento em que A Rainha Vermelha me arrebataria e esse momento chegou bem próximo da metade do livro. Fiquei fascinada pelo sistema político, onde, diferente de tantas histórias, os mutantes (de sangue prateado) comandam o mundo e não precisam se esconder dele, escravizam os meros mortais (de sangue vermelho) e criam uma era onde a riqueza e a miséria coexistem com uma segregação cruel e escancarada. 

Em uma mistura de diversas sagas famosas diferentes, a autora conseguiu criar uma história nova e um tanto quanto original. Sua escrita às vezes se torna meio corrida e fez com que eu me perdesse entre certos acontecimentos, mas relevei esses breves momentos por estar ocupada demais maravilhada com a maneira com as descrições dos ambientes pelos quais Mare passa e suas sensações, de uma forma que é possível sentir-se ali na pele da protagonista, vivenciando tudo aquilo junto a ela. 

"O mundo é prateado, mas também cinza. Não existem o preto e o branco."

Durante boa parte do livro se tem aquela sensação de já ter visto tudo aquilo antes, uma distopia, um triângulo amoroso, um governo opressor, uma revolução... Mas, esperando tanto o clichê, acabei sendo pega de surpresa. Mare mostra ter uma força muito maior do que se espera e passar por obstáculos e situações que não só dão um aperto no peito, mas fazem com que torçamos por ela, mesmo que ela claramente esteja errada em algumas resoluções. E no fim, acabei me afeiçoando à garota que tanto me irritou, apesar de ter tido uma queda pelo "vilão" da história. 

Com últimos capítulos de tirar (muito) o fôlego e uma reviravolta, A Rainha Vermelha termina com aquele gostinho de quero mais. Sem contar que em muitas cenas marcantes tive aquele desejo de "isso precisa virar um filme!" que não consegui controlar. 

Além de um livro de contos chamado Coroa Cruel, o livro teve sua continuação publicada no Brasil no mês passado, Espada de Vidro já está disponível nas livrarias (e assim que eu tiver dinheiro disponível na carteiro, quero comprá-lo, haha). Todos os livros foram publicados pela Editora Seguinte. 

Nota: 














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8

Para todos os garotos que já amei (Jenny Han)


Olá, olá! Como vão vocês? Hoje preparei algo um tanto diferente para o blog: uma resenha literária. Sou uma devoradora de livros, estou sempre com um na bolsa e um na cabeceira, mas tenho uma dificuldade muito grande para resenhá-los, por isso nunca fiz isso por aqui. Bom, até hoje. 

Já que andei mega travada nas resenhas de filmes, decidi arriscar o lado literário da coisa e resenhar o último livro que li e me empolguei: "Para todos os garotos que já amei" (ou "To all the boys I've loved before"), da Jenny Han.


"Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou - cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar."



"Se o amor é como uma possessão, talvez minhas cartas sejam meu exorcismo. As cartas me libertam. Ou pelo menos deveriam."

A princípio a Lara Jean me irritou, me irritou a um ponto em que eu considerei desistir da leitura de vez. E, nossa, como estou grata por não ter desistido! O livro tem aquela carinha de romance adolescente completamente previsível, mais do mesmo, mas não caia nessa besteira, "Para todos os garotos que já amei" vai além. Sendo narrada pela protagonista, a história nos apresenta personagens carregados de muita personalidade, com muitos defeitos, bem construídos e completamente apaixonantes. Nos lembra que acima de "mocinhos" e "vilões", todos somos pessoas, cometemos erros e temos motivos para sermos o que somos. Se está a procura de galãs e personagens perfeitos, esse é o livro errado. 

Ao contrário do que a sinopse nos faz pensar, o livro não gira em torno das cartas enviadas por acaso, sendo estas apenas o gancho inicial para uma série de eventos bem mais importantes. É interessante acompanhar o momento de adaptação da protagonista com a nova vida sem a irmã mais velha -- que foi estudar na Escócia --, tendo que assumir o controle das tarefas da casa e tomar conta do pai e da irmã mais nova, Kitty, que protagoniza muitas das passagens mais engraçadas do livro e é a minha personagem favorita! Também adorei as diversas referências não só à cultura pop, mas também à cultura coreana, de onde Lara descende. 

Com autenticidade, a história de Lara Jean é contornada por confusões, problemas amorosos, namoros de mentirinha, amizades conturbadas e muitos altos e baixos, assim como a adolescência tem que ser. Confesso que senti falta de ler algo que se passasse no colegial, passei um bom tempo afastada desse tipo de leitura e quando peguei o ritmo da trama criada por Jenny Han, não consegui mais parar de ler. Embora tenha me identificado muito mais com Margot e Peter, foi impossível não me sentir no lugar de Lara Jean em algumas situações complicadas ou sentir uma identificação imediata com alguns de seus devaneios sobre o mundo ao seu redor.


"Para todos os garotos que já amei" foi um dos primeiros livros que li esse ano e, até então, o meu favorito. Jenny tem uma escrita fluida e envolvente. Como vocês podem ter notado, o meu exemplar é em inglês, mas a Editora Intrínseca é a responsável pela distribuição do livro aqui no Brasil. O segundo livro, P.S.: Ainda amo você, já está a venda e eu estou louca para conseguir logo o meu! Outra coisa muito legal é que no site do livro é possível baixar alguns papéis de carta lindinhos para você, que assim como eu, gosta de mandar cartas.

Nota:

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10

Resenha: Bem Casados


Bateu uma saudadezinha de resenhar coisas aqui para o blog, então cá estou de volta, dessa vez para falar sobre uma comédia nacional: Bem Casados. Assisti ao filme durante um desafio de cinema que fiz com a Duff na semana passada (vou fazer um post para falar mais sobre isso em breve) e fiquei bem animada. 

O cinema brasileiro tem evoluído, isso é inegável, só nesse ano estrearam títulos muito melhor produzidos -- como Que Horas Ela Volta? (com a brilhante atuação de Regina Casé) e S.OS. Mulheres ao Mar -- e o ano que vem também promete. Um desses para mim foi Bem Casados. A começar por ser protagonizado por dois atores que eu gosto bastante, Alexandre Borges e Camila Morgado. 

O solteirão convicto Heitor (Alexandre Borges) ganha a vida filmando casamentos e é contratando para cobrir a união de um casal de filhos de pessoas influentes, enquanto Penélope (Camila Morgado), uma mulher independente e que sabe usar sua sensualidade para conseguir o que quer, é a amante do noivo que tenta sabotar a cerimônia. Penélope, então, pede ajuda a Heitor para ter uma oportunidade de falar com o noivo, alegando estar grávida. Porém, ao contrário do que mostra nos trailers, a trama do casamento não dura por muito tempo.


Depois da passagem -- que acaba sendo meio confusa para quem está assistindo, já que com meia hora já dá aquele climinha de final de filme  --, o longa passa a focar mais na relação entre os dois protagonistas. Penélope é o tipo de personagem que eu mais gosto, complexa e cheia de nuances, responsável pela maior parte das cenas engraçadas e "complexas". Ela se torna parte do time da produtora de Heitor, junto com Alice (Bianca Comparato) e Fernando (Fernando São Tiago, que também é o roteirista!) e, entre muitas outras cenas boas, temos Heitor ensinando-a a filmar, que para mim é uma das partes mais bonitas do filme. 

O longa surpreende, apesar de ter vários clichês, certos desfechos acabam por fugir totalmente do esperado. O que certamente me deixou mais "decepcionada" foi a perda de tempo em tramas que não levaram a lugar algum, deixando de lado certos detalhes sobre os personagens que eu gostaria muito de ver mais explorados, como a cleptomania de Penélope, o passado playboy de Heitor e o relacionamento gracinha de Alice e Fernando. Acho até que os próprios personagens da trama inicial do casamento não deveriam ter sido descartados tão rapidamente.

Com destaque também para a atuação de Letícia Lima do Porta dos Fundos. O filme dirigido por Aluízio Abranches é uma boa pedida para quem quer um filme leve e que arranque risadas com piadas mais originais e sem a forçação de barra que vemos com frequência nas produções brasileiras. E, claro, é impossível não apreciar a fotografia que é surpreendente.


Nota: 
 

2

Resenha: Cidades de Papel, o filme


Ok, eu sei que o filme nem deve mais estar em cartaz, mas desde que o assisti fiquei na cabeça que deveria fazer uma resenha dele. Não só por ter me impressionado, mas também porque eu sentia muita falta de resenhar qualquer coisa aqui no blog — ou de ser presente no blog at all.

Bom, então vamos à resenha e vou logo avisando que haverão sim comparações com o livro, mas essa não vai ser mais uma daquelas resenhas onde todas as "falhas" de adaptação serão apontadas. 

É de conhecimento geral das pessoas que convivem comigo que eu sou um grande fã do trabalho do John Green, não só por seus livros, mas também por todos os seus outros projetos paralelos que tanto me encantam e só fazem com que eu o admire mais. E, claro, quando ouvi pela primeira vez que Cidades de Papel viraria filme quase tive um treco de tanta animação. Então, assim como para A Culpa é das Estrelas, fui animadíssima para o cinema assistir o que eu imaginava ser mais uma boa adaptação de um livro tão querido. Qual não foi meu susto quando fui surpreendida de uma forma extraordinariamente positiva.

O filme já começa com a narração de Quentin "Q" Jacobsen, interpretado por Nat Wolff, onde ele afirma acreditar que todos têm seus milagres e o dele sem dúvida era ser vizinho de Margo Roth Spiegelman (Cara Delevingne). Os dois costumavam ter uma amizade quando crianças, mas seus caminhos aparentemente se separaram quando ela se tornou a garota mais popular da escola e ele, bem, ele preferiu o anonimato, no entanto, isso não impediu Quentin de alimentar uma paixão platônica pela garota. Também são apresentados ao público Radar (Justice Smith) e Ben (Austin Abrams), os melhores amigos de Quentin e tão nerds quanto ele. Em uma noite qualquer, Margo surge na janela de Quentin e o convida para participar de um plano de vingança contra seu ex namorado e os dois embarcam em uma aventura madrugada a fora. Porém, no dia seguinte Margo desaparece, deixando apenas pistas para Quentin, pistas que podiam levá-lo até seu paradeiro.


Muitos protestaram quando o elenco foi anunciado pela primeira vez, mas uma das vantagens que vejo no fato de o autor participar de perto do processo de escolha dos atores é que a chance de dar errado diminuem bastante. E, assim como aconteceu com Ansel Elgort ao interpretar Gus em A Culpa é das Estrelas, os atores surpreenderam ao conseguirem captar o espírito e a personalidade de cada um dos personagens, fazendo com que eu até esquecesse como eles eram no livro. Agora confesso que não consigo vê-los de outra maneira senão como os atores da adaptação, haha.

Cidades de Papel é um dos raros casos onde eu preferi o filme ao livro. Muito embora tenha sentido falta de coisas, como o emocionante passeio de Margo e Quentin pelo SeaWorld, ou as engraçadas conversas de Quentin com os pais psicólogos — que mal aparecem ou são citados no filme. No entanto, enquanto no livro o protagonista alimenta um desejo egoísta e por vezes até irritante de encontrar Margo, no filme ele recebe nuances menos dramáticos e mais juvenis e descontraídos, dando assim espaço para que a amizade com seus dois melhores amigos fosse melhor desenvolvida e para retratá-los mais como adolescentes normais do que adolescentes neuróticos ansiosíssimos pelo grande baile de formatura. 

Margo também sofre alterações do livro para filme. No livro a garota é realmente um mistério tão grande que pouco se tem de um real desenvolvimento da personagem, mostrando-se ser muito mais uma manic pixie dream girl do que uma personagem de fato. No filme, no entanto, ela ganha uma certa profundidade, mostrando sentimentos menos superficiais e até mesmo dando conselhos mais densos e significativos para Q. Seus atos de vingança também são um pouco modificados no longa e acho que em alguns momentos eles até enfraqueceram um pouco os motivos pelos quais ela os fez, o que considerei um ponto negativo. 

Radar e Ben são melhores aprofundados e muito mais engraçados, protagonizando as cenas mais engraçadas do filme. Radar é um nerd de carteirinha e gasta a maior parte de seu tempo atualizando uma enciclopédia online, o que o faz ter sempre uma resposta na ponta da língua para quase qualquer questionamento. Bom, menos para o motivo pelo qual seus pais têm a maior coleção de papais noéis negros, coisa que prefere não comentar, nem mesmo com sua namorada. Ben é um grande mentiroso e parece só pensar em duas coisas: garotas e o baile de formatura. Apesar de brigas e controvérsias quanto a obsessão de Q por achar Margo, os dois amigos acabam apoiando o rapaz em sua decisão de procurá-la.

Outras duas incríveis personagens nada bem aproveitadas no livro são Angela (Jaz Sinclair) e Lacey (Halston Sage), que ganham certo destaque na adaptação e são responsáveis pela delicadeza do filme. Angela é a compreensiva namorada de Radar e tudo o que quer é entender o motivo de o namorado não deixar que ela se aproxime dos amigos dele ou vá em sua casa. E Lacey, amiga de Margo e também vítima da vingança da garota, está disposta a qualquer coisa para encontrar a melhor amiga e deixar claro que não teve culpa de nada. As duas embarcam junto com os garotos na viagem.

O que me chamou atenção é o fato de o filme ter evidenciado também bastante da fase pela qual os adolescentes estavam passando. O fim do ensino médio, decisões difíceis e a separação eminente. No filme é mais fácil simpatizar com os personagens e em alguns momentos é possível sentir-se envolvido na causa, na viagem e no ambiente deles. Ouvi muitas pessoas falando sobre como o filme não fazia sentido ou não levava a nada e tive a impressão de que essas pessoas não o assistiram pelo mesmo ângulo que eu. Porque, no final das contas, ao contrário do que alguns trechos do livros dão a entender, o filme não é sobre achar uma garota, não é sobre obsessão. É sobre a juventude — a época em que as decisões tomadas vão decidir o resto de nossas vidas —, a cumplicidade, a amizade e o auto conhecimento. É sobre pensar longe e pensar fora da caixa, fora do modelo que nos é dado assim que nascemos. A felicidade é algo que se encontra em si próprio e não nos outros. 

O final, apesar de bem diferente do livro, não deixa a desejar. E só posso pedir a quem já leu o livro que assista ao filme com a mente aberta e não só com as velhas críticas de "nossa, no livro é diferente, essa cena está errada". A lições dadas no livro são valiosíssimas e no filme, apesar de trazer algumas lições diferentes, elas são de igual ou maior valor. 


Nota:

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Resenha: Whiplash - Em Busca da Perfeição

Tenho que dizer que não sou muito de fazer resenhas e duas resenhas em um período tão curto de tempo assusta até a mim mesma, mas creio que quando o objeto de avaliação me chama tanto a atenção de alguma forma, eu acabo recobrando o ânimo. E Whiplash chamou muito a minha atenção, muito provavelmente devido ao fato de que há muito tempo algum filme não me envolvia tanto e me deixava tão aflita como este.

Movimento, ação e sequências de tirar o fôlego e fazer com que você não desgrude seus olhos da tela e não, eu não estou falando sobre um filme policial ou de corrida, estou falando de um filme onde o elemento principal é a música, mais especificamente o Jazz. Indicado ao Oscar em cinco categorias, Whiplash entrou para a minha lista de favoritos ao retratar o cenário musical de maneira tão singular.

No começo, o longa parece te guiar para mais um daqueles enredos clichês de garoto perseguindo seu sonho musical, mas encarando dezenas de frustrações, quando somos apresentados a Andrew Neyman (Miles Teller), um jovem e promissor baterista estudante da melhor escola de música dos Estados Unidos, o Reformatório Shaffer. Neyman é escolhido pelo temido e admirado Fletcher (J.K. Simmons, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante), um professor abusivo, para integrar sua banda de jazz que prima pela perfeição.

Bom, é aí que o martírio de Andrew começa, já que seu mentor se mostra abusivo e utiliza-se do método de ofender da forma mais profunda e criativa possível, depreciando física e psicologicamente seus alunos a fim de fazer com que eles se esforcem cada vez mais a alcançar o melhor que podem fazer, ou desistam de vez. O grande truque do filme é que, por ser um personagem tão profundo, por várias vezes o telespectador é capaz de dar-lhe razão pelos seus atos. A atuação de J.K. Simmons é excepcional, conseguindo dar vida à personalidade tão intricada do professor, e os prêmios de indicações que recebeu por isso são mais do que merecidos.

Mas, se Fletcher não é nenhum mocinho, isso não torna o protagonista um. Diferente da pureza de muitos heróis por aí, Andrew tem seus defeitos por vezes escancarados ao público. Cheio de si e de ressentimentos por sua família não dar o devido valor ao seu talento - valorizando muito mais os primos atletas -, Neyman abre mão de muita coisa para se dedicar completamente a música. Miles Teller surpreendeu-me conduzindo cenas intensas e cheias de confusão e sentimentos, onde o personagem tem mais de um encontro cara-a-cara com a loucura. Teller, que toca bateria desde os 15 anos, passou a treinar quatro horas por dia e três dias por semana para a realização do papel, o que só trouxe ainda mais veracidade às cenas sangrentas e emocionantes dos ensaios incessantes de Andrew. 


A conexão entre os dois é uma espécie de amor e ódio, enquanto às vezes percebemos a afeição que Fletcher sente por Neyman quando desempenha o papel de mentor, em outras a tensão entre ambos é de dar arrepios. "Não existe um conjunto de palavras mais perigoso do que 'bom trabalho'" diz Terence Fletcher em uma conversa com seu aluno, afirmando ainda mais seu ponto de vista de que grandes e singulares artistas são resultado de grandes frustrações. Mas os sentimento de admiração mútuo entre ambos só é provado quando, no número final, eles entram em um diálogo onde as palavras foram substituídas por olhares e o ritmo frenético da bateria.


Com uma abordagem um tanto quanto intimista e um desfecho interessante - que acaba com um dos solos de bateria mais sensacionais que já ouvi -, o diretor e escritor Damien Chazelle nos conta a história inspirada em sua própria e faz com que não consigamos tirar os olhos da tela até que o longa chegue ao seu fim. A fotografia de Sharone Meir também foi fundamental para a sensação do filme, mudando drástica, porém necessariamente, de estilo entre os momentos em que o protagonista está tocando e os demais momentos, como quando ele está com o pai.

O meu encantamento pelo filme é visível e eu tenho apenas boas recomendações a fazer, apesar de ter ficado um tanto quanto desapontada pelo pouco reconhecimento que o ator Miles Teller teve por seu trabalho no longa, que é realmente impressionante.



Nota:
                                                                                              

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Resenha: 50 Tons de Cinza, o filme (sim)



Sim, eu estava na pré-estréia de 50 Tons de Cinza. Como parte do nosso combinado de tentarmos nos encontrar pelo menos uma vez na semana, eu e uns amigos decidimos reservar esse encontro para assistir o que nós acreditávamos que seria o filme piada do ano. Porém, o que começou como brincadeira, acabou me surpreendendo de certa forma. Esse drama ex fanfic de Crepúsculo acabou se mostrando uma bela espécime de comédia romântica mergulhada em clichês feministas "modernos".

Bom, tenho quase certeza de que o risco de que existam pequenos spoilers nessa resenha é grande, então, se você é um daqueles neuróticos, sugiro que nem continue, mas aqui vai a minha resenha de 50 Tons de Cinza.

Christian Grey, um jovem bilionário, sedutor e dono de especulações alheias, é um dia visitado por Anastasia Steele, uma jovem formanda de literatura inglesa, virgem e sem estilo. A moça com toda a sua ingenuidade substitui a melhor amiga na hora de fazer a entrevista com o ricaço do momento que também dá um baita patrocínio para a faculdade de ambas. Alguma coisa em Anastasia, que eu ainda não sei exatamente o que é, atraiu Christian de forma arrebatadora. Bem, esse foi apenas o ponta-pé inicial.

Depois disso segue-se uma sequência de acontecimentos até meio creepy onde Christian parece forçar várias situações e Steele parece confusa - se bem que confusa é a condição na qual ela está durante as duas horas de filme. Entre presentes caros, viagens de helicóptero e diálogos tanto cômicos quanto forçados, Grey finalmente decide mostrar à Anastasia suas verdadeiras cores (e isso não foi um trocadilho infame). "Eu não faço amor, eu fodo, com força" foi a declaração de Christian e aí sim as coisas começam a ficar um pouco mais interessantes no enredo.

Um contrato, mais confusão e algumas intriguinhas preenchem o resto da trama que posso julgar fraca. Recheado de frases de duplo sentido e diálogos que de tão desconfortáveis acabaram se tornando engraçados. Confesso que o roteiro, apesar de forçado, arrancou algumas risadas da sala de cinema onde eu estava. A confusão da protagonista é derramada durante toda a trama e é atordoante, chegando ao ponto de você se perder em alguns momentos do sentido do filme.

Então, eu falei lá em cima que o filme havia me surpreendido, certo? Certo, a surpresa ficou por conta da direção de Sam Taylor-Johnson que quase me fez querer fazer parte da Seattle de Christian Grey. 50 Tons de Cinza é um daqueles raros casos onde o filme supera o livro, que não é lá grande coisa. A atuação de Dakota Johnson e Jamie Dornan como os protagonistas é razoável, sem picos, mas fica claro de que eles fazem o que podem com os personagens que lhes cabem.

Quem foi às salas de cinema apenas para ver cenas de sexo fortes, acabou saindo de lá bem decepcionado, afinal, nós estamos falando de Hollywood. As cenas, apesar de sexy, foram mais amenas e pouco envolventes, sendo salvas apenas pela trilha sonora e alguns closes bem colocados (e certamente a ausência da consciência narradora de Anastasia). A versão maravilhosa de Crazy in Love embalou o que foi a cena mais "quente" do filme. O que mais decepciona é o fato de que é evidente que a produção tinha qualidade o suficiente para tornar-se um marco do cinema erótico se não estivesse presa ao livro.

E o que eu mais temia felizmente não aconteceu, pouca coisa no roteiro transpareceu a escrita massante de E L James e os diálogos internos e infantis de Anastasia, no entanto, ainda assim ênfase demais foi dada ao tique irritante que a protagonista tem de morder os lábios. Para quem não leu o livro, sugiro que fique apenas com o filme.

O final repentino do filme deixou perguntas até demais no ar, não misteriosas e certamente não o suficiente para carregar mais dois filmes da franquia, mas acho que é esperar para ver. Cinemas do mundo inteiro ficaram lotados para a tal estreia, a trama à lá Crepúsculo que conquistou o coração de tantas mulheres carentes promete arrecadar quadralhões. Ok, não vou entrar em mais particularidades sobre o público alvo da franquia.

Nota:
                                                                                           

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